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7 de setembro de 2021

Paisagens transgénicas (Álvaro Domingues)

 

O natural e o tecnológico fundem-se 
nas Paisagens Transgénicas de Álvaro Domingues

Raras são as vezes em que Álvaro Domingues tem encontro marcado com uma paisagem. “Elas é que vêm ter comigo”, esclarece o geógrafo ao P3, em entrevista por telefone. Por onde quer que vá, a sua fiel amiga, a câmara fotográfica, nunca o abandona. Por isso, durante as excursões pelo território português a que o ofício o obriga, quando se cruza com uma paisagem interessante pára para disparar. “Gosto quando encontro elementos contraditórios”, refere, dando o exemplo da fotografia que realizou na Amareleja, um rebanho junto de um conjunto de painéis fotovoltaicos. O confronto da alta tecnologia com o rebanho – sendo este último um elemento de elevada carga simbólica, uma vez que remete para o “início dos tempos”, para “o cordeiro de Deus” — torna essa fotografia icónica, um exemplo perfeito do que pretende alcançar com o projecto Paisagens Transgénicas, que esteve em exposição na Galeria dos Paços do Concelho da Câmara Municipal do Porto e no Triplex, ao abrigo da Bienal'21, Fotografia do Porto, mas que pode ainda ser visitado online.

O que é uma paisagem? “Ela não é o que está na tua frente num lugar alto”, explica o geógrafo, aludindo ao conceito de paisagem que todos temos inculcado, aquele que inclui o conceito de belo. “A paisagem é um ‘todo’, não obedece a padrões de equilíbrio ou harmonia – conceitos que surgem associados à estética do romanticismo.” Esse equilíbrio, harmonia, podem surgir aquando da subtracção artística – sob a forma de pintura, fotografia, cinema –, mas a realidade é mais complexa, mais dissonante. “A realidade é um atrapalhar constante de coisas”, resume. Hoje, quando olhamos uma paisagem rural, vemos elementos que existem há 300 anos e elementos que foram lá colocados ontem. “É isto uma paisagem rural do século XXI. Descaracterizou-se.” Por lidarmos mal com este aparente caos, refugiamo-nos nas “paisagens puras”, adjectiva o geógrafo, nas que são despidas de elementos disruptivos. Domingues descarta as paisagens puras e procura o “transgénico” — conceito que importa de outra disciplina para a fotografia. “O transgénico abalou completamente a discussão científica. Envolve ética, estética, ideologia, perturbou a ordem natural das coisas.” Essa ‘revolução’ figura, simbolicamente, nas imagens que produz. Domingues quer “dar a ver a diversidade das coisas”, mostrar que “não há diferenças entre local e global”.

A sua fotografia tampouco obedece a conceitos que associamos ao belo ou harmonioso – o enfoque está na semiologia da imagem, ou seja, nos elementos que nela constam e no significado que assumem na relação entre si e entre o todo e as expectativas de quem olha. “Na sociedade em que vivemos, os padrões de beleza são tão diversos que deixa de fazer sentido obedecer a qualquer tipo de preconceito”, explica. Não se considera um fotógrafo na acepção clássica. “Eu cruzo o artista com o investigador, com o geógrafo, e vivo bem com o cruzamento desses papéis.”

Jornal PÚBLICO online. 5 julho 2021

9 de setembro de 2020

O Douro de Miguel Torga

 "O Doiro sublimado. O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso da natureza. Socalcos que são passadas de homens titânicos a subir as encostas, volumes, cores e modulações que nenhum escultor, pintor ou músico podem traduzir, horizontes dilatados para além dos limiares plausíveis da visão. Um universo virginal, como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se furtivo por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio assombro. Um poema geológico. A beleza absoluta."

Miguel Torga in "Diário XII"

Crédito: The UniPlanet

24 de abril de 2020

4 de junho de 2019

Valorizar o estudo do lugar


A "aprendizagem baseada no lugar" leva os alunos a vivenciarem o contacto com o património local, a cultura, as paisagens, usando-os como base para o estudo das diferentes áreas do currículo e enfatiza a aprendizagem através da participação em projetos de serviço para a escola e / ou comunidade local. 

Através desta abordagem, a riqueza dos contextos locais em que os alunos se inserem são objeto e ao mesmo tempo recurso didático para a criação de oportunidades de aprendizagem significativas, ao mesmo tempo que permite também criar ou aprofundar relações com a comunidade local e valorizar esses contextos.

Este Manual para a aprendizagem baseada no lugar e o Guia para explorar a paisagem, disponíveis para descarregarsão dois recursos com informação relevante para esta abordagem didática e que tem grande potencial para integrar diferentes disciplinas. 

Consultar ainda a página eletrónica Promise of Place para mais informação.




28 de outubro de 2018

Uma imagem vale mais...

... se a soubermos interpretar.


As fotografias são uma ferramenta muito útil na educação para a cidadania, ajudando os alunos a explorar semelhanças e diferenças, a desenvolver a capacidade de questionamento, o pensamento crítico, a desafiar estereótipos, a construir empatia e a desenvolver o respeito pelos outros. 

Para apoiar os docentes na utilização de imagens na sala de aula, a Oxfam criou um guião para explorar fotografias de forma crítica, o qual compreende seis tarefas simples para melhorar o pensamento crítico dos alunos e a literacia visual ao explorar imagens.

O guião foi concebido para explorar este conjunto de imagens mas as orientações servem para qualquer imagem.

2 de setembro de 2018

Uma paisagem para a aula de Geografia


Ao encontrar esta paisagem, Nordfjord (Noruega), surgiu de imediato a ideia de a poder utilizar para vários fins:
- desenhar um esboço da paisagem
- anotar os elementos significativos
- cartografar os diferentes usos do solo
- ...