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4 de janeiro de 2022

Geografias Pós-Covid

Em plena pandemia, o atual presidente da Geographical Association, Alan Parkinson, iniciou um documento, que já conta com 12 versões, através do qual vem refletindo sobre os temas da Geografia que são interpelados pelo momento que vivemos atualmente, dando-lhe o título "New Geographies : New Curriculum PC (‘Post COVID-19’) School Geographies". Nele podemos encontrar links que remetem para artigos de jornal ou revista e que ajudam a contextualizar algumas alterações que a pandemia implica para a Geografia e, consequentemente, para o currículo.

Apesar de ser um trabalho em língua inglesa, constitui uma leitura muito útil para qualquer professor de Geografia, por reunir um tão vasto leque de recursos que nos despertam a reflexão.

A versão 12 do documento, datada de dezembro de 2021, pode ser descarregado aqui. A próxima versão será publicada na Páscoa de 2022.



15 de abril de 2019

Cidadania territorial e Geografia

Que aprender com a revolta dos esquecidos?
"Beethoven, um dos maiores compositores de sempre, sofria de surdez. Habermas, um dos grandes especialistas em comunicação, nasceu com um lábio leporino. Orlando Ribeiro, um exímio leitor de paisagens, era estrábico. Todos eles superaram características que poderiam ter afetado gravemente as atividades em que se distinguiram. Face à menorização crescente, académica e pública, de muitas das áreas científicas centradas no conhecimento, planeamento e gestão dos territórios e das paisagens, o exemplo destes três autores devia constituir uma fonte de inspiração para nos ajudar a pensar como ultrapassar essa situação. 
Afinal, o que se passou? Em Economia, a disciplina de desenvolvimento regional desapareceu dos currículos das principais universidades. A Geografia, entre modelos, especializações e sistemas de informação geográfica, deixou de se preocupar com a sua antiga joia da coroa, a geografia regional. A Sociologia há muito trocou a sociologia rural pela sociologia do ambiente. A arquitetura paisagista foi abandonando a visão mais ampla de paisagem a favor de uma ótica de projeto, de desenho, de intervenções em jardins e espaços verdes urbanos. Na Engenharia, o setor florestal foi perdendo alunos e espaço nas academias. Em suma, em todos estes domínios disciplinares parece haver uma tendência comum: a crescente subvalorização da dimensão territorial e paisagística. 
Porquê? Não existe uma explicação única e universal, nem sequer um conjunto de explicações aplicável por igual aos vários domínios referidos. Mas podemos identificar uma constelação de fatores que, em combinações diferenciadas, contribuíram, em cada um desses domínios, para a referida tendência. A especialização e complexificação do conhecimento científico convivem mal com interpretações integradas de base disciplinar. Os assuntos relacionados com a terra e o território são vistos como antiquados face a temas emergentes, mais atrativos pelas oportunidades de carreira, renumeração e notoriedade que proporcionam. A administração pública perdeu a áurea de um setor profissional que atraía os melhores, tendo sido substituída pelo brilho do mundo das empresas e por uma cultura de ação mais instrumental e com retorno financeiro e reputacional mais imediato. As políticas públicas e o planeamento perderam reconhecimento e relevância a favor das dinâmicas de mercado.
O trabalho de campo, moroso e cansativo, é substituído pelo trabalho de gabinete apoiado em ferramentas de análise à distância cada vez mais sofisticadas. Por tudo isto, e por motivos mais circunstanciais, desencadeiam-se espirais regressivas de difícil reversão: menos procura por parte dos estudantes e dos empregadores, menos oferta por parte da academia, menos poder nos centros de decisão pública e privada, menos reconhecimento social.
Afinal, para que serve tirar um desses cursos ou, quando eles persistem metamorfoseados de acordo com os ares dos novos tempos, por que razão escolher (quando ainda existem) disciplinas que tratam essas matérias? A resposta foi dada, de forma inesperada e brutal, no dia 17 de junho de 2017 com a deflagração do enorme e mortífero incêndio florestal de Pedrógão Grande.
De repente, todos – decisores políticos e comunicação social, populações em sofrimento e especialistas, comentadores de café e gente solidária – começaram a usar repetidamente as mesmas palavras: paisagem, território, floresta, ordenamento, mundo rural, “interior”... As populações, os lugares e as realidades que deixámos de escutar, estudar e compreender abriam os telejornais, ocupavam as primeiras páginas dos jornais, preenchiam as redes sociais. Era a revolta, inesperada e sofrida, dos esquecidos, dos que contavam pouco. Porque não eram “modernos”. Porque não eram relevantes para a construção de uma economia competitiva e de uma sociedade cosmopolita.
Julgávamos que éramos saudáveis: ao contrário dos três autores inicialmente invocados, pensávamos que ouvíamos, falávamos e víamos bem. Estávamos enganados. Resta-nos, agora, superar a nossa surdez, as nossas dificuldades de comunicação, a nossa incapacidade de ver. Como? Reconstruindo o valor científico, social e político dos saberes sobre territórios e paisagens."
João Ferrão in Público. 14.abril.2019

29 de março de 2019

Educação Geográfica


Associação de Professores de Geografia. 
Há 30 anos a trabalhar pela Educação Geográfica dos nossos alunos.

5 de janeiro de 2019

Voltamos a passar o periélio


Fonte: @Antarcticacl

A Terra passou no dia 3 de janeiro pelo ponto da sua órbita que está mais perto do Sol - periélio, coincidindo com o máximo da sua velocidade de translação, que é de 110.000 km/h.

2 de janeiro de 2019

Em busca do pólo Sul

Fonte: South Pole Telescope

No início de cada ano, até o pólo Sul muda. A bem dizer, o que muda é o marco que o assinala pois a camada de gelo sobre a Antárctida move-se cerca de 10m por ano sobre o leito de rocha. Por esse motivo, o marco que assinala o pólo tem que ser anualmente mudado para o verdadeiro local, a 90º Sul.

13 de dezembro de 2018

Petição: POR UMA VALORIZAÇÃO DA GEOGRAFIA NA EDUCAÇÃO PARA O ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO NOS ENSINOS BÁSICO E SECUNDÁRIO

De há algum tempo a esta parte apercebemo-nos que a população portuguesa (inclusivé autarcas), não valoriza o seu território - pelos atentados urbanísticos que observamos, pelo abandono a que votaram a floresta sem aceiros nem limpeza, pela "ligeireza" com que se fiscaliza a actividade das pedreiras...etc. Tudo isto radica no desconhecimento. Quem não conhece não valoriza. A Geografia, ciência de encruzilhada entre as Ciências Naturais e as Ciências Humanas, proporciona uma formação que desenvolve nos alunos competências que lhes permitirão intervir com sentido crítico na "apropriacão" do território, nomeadamente quando objecto de planeamento e ordenamento.

A flexibilização curricular, apesar de terem sido definidas Aprendizagens Essenciais pelo ME, permite que haja escolas em que os alunos têm uma única aula de Geografia (45 minutos) por semana e muitas escolas do 2º ciclo não têm no quadro qualquer professor formado em Geografia apesar de existir a disciplina de História e Geografia de Portugal.

Parece pois ser urgente promover alterações e nesse sentido surgiu esta petição que, se considerarem justa, a subscrevam e divulguem.


1 de dezembro de 2018

Emília Sande Lemos em entrevista

Emília Sande Lemos
Licenciada em Geografia, 1974 pela Universidade de Lisboa.
Mestre em Psicologia e Metodologias da Educação, 2001, (FCSH-Universidade Nova de Lisboa).
Professora do ensino básico e secundário desde 1973.
Sócia fundadora da Associação de Professores de Geografia e Presidente da Direção (1994-2018). Membro do Conselho Consultivo do Currículo Nacional do Ensino Básico, do Conselho Nacional de Educação, do Conselho Científico do IAVE e cocoordenação da proposta de Aprendizagens Essenciais da Geografia nos 12 anos de escolaridade, homologadas pelo Ministério da Educação (2018).

1 - Comente um livro que o marcou ou cuja leitura recomende
Escolher um livro é sempre uma tarefa difícil, pois várias são as obras que me influenciaram, quer a nível pessoal quer a nível profissional. Em relação ao primeiro aspeto gostaria de destacar as obras de Mia Couto, porque, como africana que também sou, retrata, de forma extremamente criativa, a cultura africana, bem como a sua relação com um território com especificidades muito próprias, ambas tão mal conhecidas em Portugal. A obra de Yves Lacoste, “A Geografia serve, antes do mais, para fazer a guerra” foi uma revelação, a afirmação por um geógrafo de renome mundial, da importância política da Geografia, da importância do conhecimento do território. 

2 - Que significado e que relevância tem, no que fez e no que faz, assim como no dia a dia, ser geógrafo?
Durante a minha infância e juventude, “oscilei” entre dois “mundos”. Nascida em 1951 em Luanda, neta de um colono que chega a presidente da Câmara Municipal de Luanda e de outro avô, residente em Portugal, padeiro, anarco-sindicalista, vivo em Luanda, na cidade “branca”, dentro da redoma de uma certa elite, mas cedo visito a “Metrópole”, e o meu avô, na prisão de Caxias.  Nas incursões que faço a Portugal de quatro em quatro anos, contacto com outras paisagens, uma outra cultura quotidiana. Foi, sem dúvida, este um aspeto que muito terá influenciado a minha ida para o curso de Geografia, bem como uma consciência subliminar, mais tarde confirmada ao longo do curso, que esta Ciência tem uma forte componente política, social e cultural.
Como professora de Geografia considero portanto fundamental a escolha de metodologias e conteúdos que permitam uma aprendizagem significativa, o desenvolvimento de competências de criatividade, consciência crítica e cívica, o que é, sem dúvida, um trabalho extremamente difícil e que exige muito mais horas de preparação de aulas do que as que atualmente estão consagradas na lei. Mas o esforço é muito gratificante, como quando verificamos, por exemplo, que uma aluna ao fim de três aulas de debate e pesquisa, nos diga: “stora é mesmo muito difícil classificar de forma simplista um país em desenvolvido ou em desenvolvimento” ou, após simular o julgamento de um imigrante clandestino em França (baseado numa história real) e, perante o depoimento muito sentido de um dos alunos, ver o imigrante ser absolvido do seu suposto crime de “imigração clandestina”. 
Na minha ótica, a Geografia, porque olha o Mundo de uma forma multiescalar e multidimensional, é a disciplina “perfeita” para educar os nossos jovens para um Mundo cada vez mais VICA – volátil, incerto, complexo e ambíguo, onde, mais do que saber conteúdos, é importante ser capaz de relacionar, problematizar, empenhar-se, participar e envolver-se. 

3 - Na interação que estabelece com parceiros no exercício da sua atividade, é reconhecida a sua formação em Geografia? De que forma e como se expressa esse reconhecimento?  
A importância social da Geografia, seja na escola, seja em outros setores da sociedade, está muito dependente da vontade conjunta de todos os professores de Geografia e geógrafos de dar a conhecer, através dos mais diversos meios e atividades, o valor da nossa Ciência. Nesta tarefa, os professores de Geografia dos ensinos básico e secundário e do ensino de adultos têm um papel relevante, bem como a Associação de Professores de Geografia e a Associação Portuguesa de Geógrafos. Não tem sido um trabalho fácil mas, sem dúvida que, em muitas escolas, os docentes de Geografia, ocupam lugares de destaque, coordenam projetos e, a nível do Ministério da Educação, Conselho Nacional de Educação, Comissão de Educação da Assembleia da República e IAVE, a Associação de Professores de Geografia tem tido um papel muito ativo, intervindo e estabelecendo numerosas parcerias quer com outras ONGs quer com empresas privadas e outras instituições. 

4 - O que diria a um jovem à entrada de Universidade a propósito da formação universitária em Geografia, sobre as perspectivas para um geógrafo na sociedade do futuro? E a um geógrafo a propósito das perspetivas, responsabilidades e oportunidades?
É hoje reconhecido internacionalmente que o conhecimento do território, seja através das TIG(s), quer dos “tradicionais” mapas que tantos jornais gostam de editar (e nos demonstra como, numa simples folha de papel, se pode conhecer tanto), tem dado à Geografia uma visibilidade que até aqui não existia. Seria isto o que eu diria desde logo a um jovem que gostasse de Geografia e quisesse ingressar num curso de Geografia. E, mais do que isso, mostrar-lhe-ia, como, no Mundo global, qualquer decisor, seja a nível local ou mundial, precisa de conhecer a cultura e o território de cada povo, as relações que mantêm entre si, os jogos geopolíticos que norteiam o quotidiano do nosso planeta, a importância de saber responder entre outras questões a perguntas tão fundamentais como: Onde se localiza? Porque se localiza ali? Que consequências tem essa localização? Para os que já estão a exercer como geógrafos creio que seria mais do que suficiente lembrar que sem um olhar geográfico não é possível compreender e vir a prevenir/mitigar, por exemplo, os terríveis incêndios que ocorreram em Portugal em 2017.

5 - Queríamos pedir-lhe a escolha de um acontecimento recente, ou um tema atual, podendo ambos ser do âmbito nacional ou internacional. Apresente-nos esse acontecimento ou tema, explique as razões da sua escolha e comente-o, tendo em conta em particular a sua perspetiva e análise como geógrafo.
Duas questões que de alguma forma se interrelacionam, acolhem a minha atenção quase quotidianamente: a geopolítica do Médio Oriente e as migrações entre a Ásia Menor/África e a Europa, via Mar Mediterrânio. Como ser humano choca-me a hipocrisia de uma Europa envelhecida, à procura do seu velho esplendor, que recusa estes jovens empreendedores, que atravessam territórios hostis, como o Sahara e/ou o Mar Mediterrânio, sem quaisquer meios, e que deveriam ser acolhidos como seres humanos preciosos para o renascimento do nosso envelhecido continente. Como geógrafa não me é difícil entender estas migrações, há tanto anunciadas, bem como toda a complexidade espacial, temporal e sociocultural que envolve os diferentes povos e culturas do Médio Oriente, pois todas as perguntas essenciais que um geógrafo deve fazer, nos conduzem a respostas complexas, mas muito interessantes de analisar com um olhar geográfico.

6 - Que lugar recomendaria para saída de campo em Portugal? Porquê?
O bairro da Cova da Moura, na Amadora. Já tive ocasião de o visitar diversas vezes, quer através da minha escola, a Secundária da Amadora, quer em visita de estudo de um Seminário Nacional de Professores de Geografia. Através da Associação Moinhos da Juventude, jovens e docentes podem refazer as suas perceções sobre um bairro, geralmente tão maltratado pela comunicação social, no sentido de melhor compreender a multidimensionalidade das comunidades e dos seus territórios.

Entrevista à Associação Portuguesa de Geógrafos.

29 de janeiro de 2018

Cada país segundo a população

Seria assim o mapa político se a área de cada país fosse definida em função da sua população.
Fonte: @VoxMaps

19 de janeiro de 2018

O planeta ao contrário?

E se a massa continental fosse oceano e se os oceanos fossem terra firme?


É a proposta que o Quora faz ao considerar esta grande diferença na distribuição dos oceanos e dos continentes. Para ler, aqui.