7 de março de 2011

Potencial de "agitação" dos Estados

Nos tempos que correm, sobretudo após os recentes acontecimentos que afectam os países árabes, a informação sobre o potencial de agitação social pode ser antecipatória do futuro. A revista Atlantic online tem um bom artigo sobre este assunto, intitulado "Can data predict political revolutions?"

O autor destaca o (ainda curto) ano de 2011 como um dos mais importantes da história das revoluções, a par de 1848, 1918, 1949 e 1968. A explicação convencional para esta onda revolucionária, assenta no desemprego de milhares de jovens, em países cujo regime autocráticos e corruptos geraram o descontentamento desses milhares de jovens, ligados como nunca pelas redes sociais (Facebook e Twitter). Este último factor é contrariado por Malcolm Gladwel (o mentor da iniciativa Movimento Millenium) numa entrevista à revista Única/Expresso, o qual argumenta que outras revoluções anteriores não dependeram destas redes sociais para acontecerem, e que, se não existisse Facebook, os movimentos de revolta que ocorrem existiriam na mesma.

O artigo faz também referência ao Índice "Shoe-Thrower" (relembre-se o protesto de um iraquiano ao atirar um sapato a George W. Bush ou o que aconteceu na praça Tahrir assim que Mubarak falou ao país anunciando que não se demitia), criado pela revista The Economist, que pretende representar a probabilidade de instabilidade nos países da Liga Árabe.

Este índice é ponderado com base na estrutura etária da população (principalmente pela percentagem de pessoas com menos de 25 anos de idade), no número de anos que o governo está no poder, na sua falta de democracia e no excesso de corrupção, na prevalência de censura , e no nível de desenvolvimento económico, medido pelo PIB per capita.

Por fim, o autor deste artigo coloca em evidência o índice por si criado (Índice de Agitação Potencial), calculado com base em dados do Banco Mundial, da Organização Mundial do Trabalho e da consultora Gallup, cujos resultados estão expressos no mapa em cima. Este índice foi calculado com base em: "human capital levels in combination with percent of the workforce in the creative class, life satisfaction, GDP per capita, perceptions about local labor market conditions, Internet access, freedom, tolerance, and honesty in elections".

Sem comentários: