5 de Abril de 2014

Sinais dos tempos

Num país onde se escancaram as portas da emigração,este livro terá certamente mercado. Para ajudar na decisão difícil de deixar o país e procurar outro para trabalhar e viver, a jornalista Mónica Menezes escreveu este guia, com respostas a muitas perguntas que qualquer candidato a emigrante poderá fazer.

23 de Março de 2014

Inverno demográfico chega ao litoral

"A distribuição territorial dos serviços públicos encerrados veio reforçar a ideia de que o declínio demográfico está a alastrar para zonas mais perto do litoral, alertam especialistas ouvidos pela Lusa, que pedem uma reflexão sobre "o modelo de país que queremos".
O demógrafo Mário Leston Bandeira, do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, sublinha o facto de os dados resultantes do levantamento feito pela Lusa confirmarem que "a engrenagem do declínio demográfico está a alastrar para zonas mais perto do litoral".
"O declínio acontece já não apenas no interior", onde se encontra a população mais envelhecida e se caminha para "a destruição quase completa", mas "está a alastrar para o litoral", mesmo nas zonas que tinham uma elevada natalidade, disse à Lusa.
Também Jorge Malheiros, do Núcleo de Estudos Urbanos, Migrações, Espaços e Sociedades do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa, aponta que a "deterioração da qualidade de vida", que tem vindo a acontecer sobretudo no interior, chegou às zonas do litoral menos servidas de transportes.
"O que era litoral está cada vez mais invadido por comportamentos do interior. Está a alargar-se a mancha, que está quase a chegar ao mar", reforçou Maria Filomena Mendes, presidente da Associação Portuguesa de Demografia. Sublinhando que o declínio demográfico, o envelhecimento da população e a desertificação dos territórios é mais ou menos evidente desde o princípio dos anos 1980, Mário Leston Bandeira lamentou que nada tenha sido feito para prevenir o futuro. E a austeridade veio, no seu entender, agravar a situação e está a "matar a hipótese de haver recuperação".
"É preciso acabar com a austeridade, criar empregos nas zonas deprimidas. Se não há jovens a irem para essas zonas qual é o seu futuro?", disse, realçando que o que está a acontecer é uma "falsa poupança".
"O capital mais importante são as pessoas. São elas a riqueza das Nações e não estamos a apostar nelas de todo", disse.Admitindo ser possível melhorar a oferta e o modo como os serviços estão dispersos pelo território, Jorge Malheiros questiona a ausência de uma reflexão sobre o modelo de país e de Estado que se quer e a forma como tem sido conduzido o processo, enfatizando que as mudanças com diálogo e envolvimento das comunidades são mais demoradas mas resultam mais equilibradas.
Para este especialista, é cada vez mais clara a opção por um modelo de Estado mínimo, com a diminuição de serviços públicos "acreditando que o mercado privado reintroduzirá um reequilíbrio. Ele fará o seu trabalho, mas gera injustiças, nomeadamente injustiça territorial", o que levará a um "declínio demográfico e ao esvaziamento destes espaços". Constatando que os encerramentos acontecem em todo o país, incluindo nos grandes centros como Lisboa, onde por exemplo o número de serviços de saúde encerrados é mais expressivo, Jorge Malheiros frisa que o impacto é contudo distinto no interior, sobretudo nas regiões de território vasto e povoamentos concentrados, obrigando as populações a grandes deslocações para acederem a serviços básicos.
Maria Filomena Mendes alerta ainda para o contributo do encerramento de serviços na perda de dinâmica de regiões que ainda a têm. "Desenvolvimento gera desenvolvimento. Se não existirem infra-estruturas que segurem e captem as pessoas elas vão embora. É preciso dar essas condições, porque se não tivermos residentes fica todo esse espaço de abandono e isso é trágico", disse à Lusa.
Mais de 6.500 serviços públicos encerraram desde 2000, sobretudo no norte e interior do país, e mais de 150 devem encerrar proximamente, de acordo com um levantamento feito pela agência Lusa junto de entidades oficiais locais." Lusa/SOL

22 de Março de 2014

Imigração é a solução

"O demógrafo norte-americano Carl Haub considera que a imigração é a melhor forma de combater a baixa natalidade nos países ocidentais, Portugal incluído, mas a falta de empregos anula essa solução.
«Sem empregos não há imigração», disse à agência Lusa o especialista, que se deslocou a Portugal pela primeira vez para participar no encontro “Presente no futuro – Os Portugueses em 2030”, que decorre em Lisboa, na sexta-feira e no sábado.A situação portuguesa é idêntica à que se regista em quase toda a Europa e nos países desenvolvidos da Ásia, como o Japão, a Coreia do Sul, Singapura ou Taiwan. Em Portugal a taxa de fertilidade actual é de 1,3 filhos por mulher, num continente onde a média é de 1,9. A Letónia apresenta o valor mais baixo (1,1), seguido da Hungria e da Bósnia-Herzegovina (1,2), de acordo com a tabela referente a este ano da instituição norte-americana Population Reference Bureau (PRB), onde Carl Haub, 67 anos, produziu em 1980 a base de dados da população mundial mais consultada, a World Population Data Sheet.
A taxa europeia mais alta ocorre na Irlanda (2,1), único país que apresenta o valor que os demógrafos consideram o mínimo para assegurar a manutenção da população na geração seguinte. A Islândia, a França e o Reino Unido são os países que se seguem, todos com uma taxa de dois filhos por mulher.
Em termos de comparação, em África a taxa média por mulher é de 4,7 filhos e o Níger detém mesmo recorde mundial: 7,1, ainda segundo a tabela do PRB.
O especialista diz que «não há uma causa específica» para a situação registada no Ocidente, mas antes um conjunto de circunstâncias.
Entre elas o desemprego, que torna imprevisível o futuro dos jovens e lhes faz adiar ou cancela definitivamente os planos para terem filhos.
Depois há a resposta que se deve colocar nos tempos actuais às novas gerações: «O que é importante na vida?». Na Alemanha a maioria das respostas é «viajar», afirma Carl Haub.
Adianta que a população germânica tem sido das mais apoiadas pelo estado, de modo a aumentar o número de filhos, mas mesmo assim não ultrapassou este ano a taxa de 1,4, apenas uma décima acima de Portugal. Também em França e na Suécia tem havido esse investimento, acrescenta.
Nos anos 1990, depois da queda do muro de Berlim, a Rússia, então a braços com uma taxa de fecundidade de apenas 1,1, decidiu pagar 9.000 dólares (quase 7.000 euros aos câmbios actuais) a cada mulher que tivesse o segundo filho.
A taxa subiu e hoje no país cada mulher tem, em média, 1,6 filhos, o valor mais alto da Europa de Leste.
Contudo, e de um modo geral, «as coisas estão a mudar devagar», porque «os governos não estão a prestar atenção suficiente ao assunto», que exige «políticas de longo prazo».
Mesmo que a tendência em Portugal se altere, como prevêem as projecções mais optimistas dos demógrafos para 2030, e suba para os 2,0, a diminuição do número de nascimentos vai continuar a diminuir porque manter-se-á a descida do número de mulheres em idade de ter filhos.
Carl Hub considera que a situação de austeridade e dificuldades económicas que país vive irá «agravar ainda mais» a baixa natalidade.
Uma das soluções, defende, é adiar a idade da reforma e usar o dinheiro que se poupa com isso no apoio às famílias para haver «mais gente jovem». Lusa/SOL

Água e desenvolvimento

Projeto UE - sustentabilidade e uso eficiente dos recursos


"Projeto UE - sustentabilidade e uso eficiente dos recursos: inquérito, debates e disseminação", concebido e desenvolvido pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) é uma iniciativa da Comissão Europeia, promovida pelo Centro de Informação Europeia Jacques Delors (CIEJD), Direção-Geral dos Assuntos Europeus – Ministério dos Negócios Estrangeiros, na qualidade de Organismo Intermediário responsável pela execução do Plano de Comunicação para informação sobre a União Europeia em Portugal.
O estudo de opinião, cujo inquérito por questionário tem início já em março, incide sobre temas de ambiente, economia e sustentabilidade. O objetivo é contribuir para uma reflexão e debate fundamentado cientificamente, dando voz aos cidadãos e cidadãs sobre estas temáticas e as políticas da União Europeia.
Aceder ao inquérito aqui.

11 de Março de 2014

Viagem sobre o Rhur

Fotografias de Jakob Wagner sobre a região alemã do Rhur. Na sua página podemos encontrar mais fotos de outras cidades e ambientes, com conteúdo geográfico.